28 de junho de 2009

"E o resto é silêncio..." ou "PQP, é o Wagner Moura!"


É, o post vai ser gigante. Se você não quiser ler, ou ler só o começo e o finalzinho, eu vou entender. Mas, se eu fosse você, eu leria.


Eu já estava quase conformada por não ir mais assistir Hamlet (mentira, eu tava muuuito p. da vida). Passei o sábado na livraria Saraiva, como de costume, e nem quis ver a sessão de Shakespeare. Adiantou nada, quando eu já tava saindo, dei de cara com uma pilha de Tropa de Elites, com o meeeu Wagner na capa. DEPRESSÃO
Tá, daí eu fui pra casa da tia, e a matriarca resolveu dormir lá em Recife mesmo. MAIS depressão: porra, eu nem em Garanhuns tava. Tava em Recife e não ia assistir a peça! Ah, destino cruel, ah, malditos ingressos esgotados :( De repente, no meio do jantar, às 20h40, o tio falou: "Ei, afinal, por que você não leva a Bia pra peça?" Boa, tio. Cutucou a ferida! Depressão³
A mama disse que não tava se sentindo bem e que eu tinha entendido (arrã, pois sim). Conversa vai, conversa vem, a mama liga pro teatro NOVE HORAS EM PONTO, e eu saio do apê correndo, sem maquiagem ne-nhu-ma, sem câmera digital nenhuma, de all star ferrado e franja bagunçada mesmo. Chega lá no teatro da UFPE, vazio vazio. Todo mundo na sala, eu 20 minutos atrasada, ofegante e descabelada, chego nos seguranças, que tão ali, falando sobre o Michael Jackson (como qualquer pessoa normal no mundo), e, enquanto a minha mãe quase que implorava pra eu entrar, eu fazia minha melhor cara de "estou-em-estágio-terminal-esse-é-meu-último-pedido". O segurança, uma das pessoas que eu mais amo no momento, me deixou entrar, sem ingresso nem nada, nem na bilheteria eu fui, só passei o money e corri pro abraço (pra cadeira, quero dizer). Na verdade, a mãe até acha que ele embolsou a verdinha.
Algumas horas de atos trágicos, Ser ou Não Ser, loucura e atuações brilhantes (principalmente de Wagner aka Hamlet e do ator que faz o Polônio, cujo nome me foge por causa da adrenalina, haha), acabou a peça. Aplausos e mesuras à parte, e depois de um leve "Parabéns pra você" pro ator principal (ontem o W.M. fez 33 anos), quando o elenco saiu e as luzes se apagaram, começou a tocar "Thriller". O pessoal riu e eu voltei, e de onde eu estava, dava pra ver umas sombras (acho que da Gertrudes e da Ofélia da peça) dançando ao som do Mr. Jackson. E nisso, no canto do teatro, perto do palco, se amontoavam umas 30, 40 pessoas no máximo, num momento de tietagem. O que eu fiz? Corri pra lá! O negócio é que o Wagner ia falar com seus fãs. Sim, nós, meros plebeus :)
Tá certo que quase expulsaram a gente, mas, no final, estávamos todos reunidos na entrada. Esperando. E esperando. E nada. Minha mãe apareceu querendo ir pra casa, e eu já estava cedendo...
"Mãe, ao menos eu vou lá na recepção, pegar aquela revistinha da peça"
E quando eu chego lá, o meu amigo segurança, já de bermuda e tênis, sorri e diz "E aí, gostou da peça?"
Milhares de lâmpadazinhas se acendem na minha cabeça, e quase histérica, eu digo "Olha, você TEM que me dizer onde o Wagner tá". Ele riu, e depois ficou sério, com uma cara de "Ah, não. Ela realmente quer isso". Olhou pro monitor, onde apareciam dezenas de imagens das câmeras de segurança. Olhou pra mim e disse "Eu não posso. Você não quer que eu perca meu emprego, quer?". Beatriz: Cara de cachorro abandonado mode ON! "Mas... Dica. Sabe o estacionamento?...". Depois de uns gritos internos, ele me levou até uma escadinha atrás do teatro, e mesmo estando extremamente escuro e sendo o Brasil, eu não me preocupei com a possibilidade de ele ser um psicopata ou algo do tipo. Ele lhou pra mim com cara de mocinho de cinema e disse "Agora é contigo!".
Ai. Meu. Deus.
Depois de uma meia hora esperando, encaro um velho com cara de boêmio que se aproxima e solta um "Oi, garotinha". Odeio quando desconhecidos me chamam por diminutivos, mas esse não era um desconhecido. Era o Tonico Pereira! Cara, eu que sempre odiei a voz daquele homem, o escutei falando com uma voz de sotaque carregado, mas perfeitamente normal! Acho que ele percebeu minha cara de idiota, e perguntou "Hm.. Garota, você tá bem?" no que a imbecil respondeu:
"Eu... É que... Bom, você é o cara. E o Wagner é o cara, e vocês estão aqui... E... Ai meu Deus!"
Pensamento do Tonico: Que legal que estão distribuindo livros de Shakespeare no hospício. Mas, ele apenas riu e disse "Que nada, garota. Eu não sou o cara. O Lula que é o cara!"
Depois de uma foto (com o celular da mama. Viva a tecnologia telefônica!) e um pedido de "Ei, me leva lá dentro?", ao que ele respondeu "Ah, desculpa, eu não posso. Pede pro Marcelo aqui, ele é super amigo do Wagner, eles namoraram por três anos", eu fui obrigada a rir e olhar rapidamente pro tal Marcelo, que eu descobri que era mais um dos atores que passavam de lá pra cá o tempo todo.
Acontece que eles foram embora. Os atores que eu não conhecia, o Tonico, até os faxineiros. E eu lá.
Daí a chefe aka mãe apareceu e disse "Filha, vamos pra casa". Acho que ela percebeu que isso não era o bastante, que eu tinha chegado muito perto e não ia desistir tão fácil, então se aproximou do cara da outra van e pediu, por favor, pra ele tentar achar o Wagner, porque a "filhinha" dela era muito fã dele, e tinha esperado muito, e só queria um ou dois minutos (chantagem emocional 4ever!), e aí... o elevador abriu.
E saiu de lá uma mulher com um cara. Um cara expressivo, mas que aparentava ser tímido, com all star, calça jeans e camiseta muito similares as que tinha usado na peça duas horas antes, só que com o cabelo molhado e com cheiro de sabonete. Um cara que ao ouvir a mulher dizer "Wagner, e aí?" se virou para a mamuska e disse "Oi? Ah, claro que eu tiro uma foto. Cadê a sua filha?". O cara que me fez suspirar, rir e sonhar durante anos, o que quando ouviu um "P-parabéns... pela peça... e por tudo!" muito retardado de uma "garotinha" só riu e disse "Ô princesa, obrigado minha linda" e que, quando a mãe dessa garota não conseguiu tirar a foto de imediato, continuou abraçado com ela, fazendo-a sentir um cheiro de bebê que ela vai levar pra sempre. [/dramadeadolescente]
A verdade é que eu detesto fanatismo, esse negócio pra mim é coisa de fã que ama-pra-sempre-desde-a-semana-passada, sabe? Mas às vezes a gente tem que se render.
Foram poucos minutos, e não é como se eu seja a melhor amiga de infância dele ou coisa do tipo, mas significou muito pra mim ver esse cara, vê-lo como uma pessoa normal sem me decepcionar - porque ele é realmente fofo! - porque é ESSE o cara que me faz acreditar no cinema brasileiro, na atuação de verdade (a atuação cujo maior objetivo é fazer com que as pessoas sintam um caleidoscópio de emoções, fazer com que elas sonhem, porque isso é difícil de se encontrar hoje em dia!).
É, o tal cara de all star me fez sentir como uma boboca que chorou e riu ao mesmo tempo por horas só por causa de alguns minutos.
Bom... Muitíssimo obrigada por isso, Wagner Moura :)


Moral da história: ainda que você não ande sempre com sua câmera digital, nunca, nunca mesmo esqueça o celular!


OBS: todos os fatos são reais; não, eu não exagerei; sim, foi bem melhor do que parece.

3 arranhões:

Carlos disse...

Muitooo fodaaaaaaa! hahahah, ri mt continua assim meu peixe vc tem futuro

ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ

Anônimo disse...

caaaaaaran, que tudo *-* ai ele é muito fofo! :D adooro \õ/ amiga, tu tem muito talento. eu AMO teus posts ♥:* - lúrodrigues,aqui!

Branca ;] disse...

e pensar que eu ia veey *bua* aah deve ter sido tãao bom sem noção *--* te amo bocó.