28 de dezembro de 2009

O outono chegou mais cedo

- Um pré-texto pra você:
Hoje não é sexta-feira. É meia-noite e quarenta e cinco, não meio-dia e quarenta e cinco. Minha recuperação já acabou e o verão tirou férias, porque tá um friozinho dos céus. Mas o texto foi vomitado há alguns dias e, como não é raro eu me sentir deslocada assim, resolvi postar aqui.


Hoje é sexta-feira. São 12h45 e já estamos praticamente no meio de dezembro. Eu deveria estar de férias, mas não estou. É incrível como sempre deixo tudo pra última hora, quando quase já não há mais esperanças. A adrenalina me mantém viva. Saber que estou por um fio é um pouco reconfortante, porque se eu conseguir, o mérito é meu. Eu consegui, by myself. Se não, a culpa é minha. As consequências são minhas. Foda-se o que pensam: o problema é exclusivamente meu.
Saio pra almoçar com algum dinheiro e nenhuma animação. E aí a solidão bate. Eu me vejo escolhendo entre rabiscar algo em uma folha de rascunho ou fingir que sei mexer direito nesse computador novo. Não sei, não quero; prefiro meu velho caderno preto de capa dura. Mas o que eu realmente preferiria seria não ter sobre o que escrever. Não ser a rainha do drama em cada linha que escrevo. 
O almoço não está dos melhores. Mas o que eu queria? Caviar? Aliás, nunca comi caviar. Não sei que gosto tem e nem se se come no almoço, no lanche ou naqueles jantares em que todo mundo finge que é alguma coisa. O sol está intenso, nos últimos dias e desde o começo da primavera não tem sido diferente. Todo mundo fervendo. De calor. De tensão. Ainda assim, parece inverno. Outono, quero dizer. Inverno é uma estação linda e eu sempre estou com pessoas de que gosto. Outono é aquela coisa bonita, mas melancólica, triste. No outono todo o nós e o eles parece se tornar um eu nostálgico e sem graça. É esse negócio de mudança de clima, acho. 
Queria caminhar no parque, mas os "pacotinhos" que por ali circulam me proíbem. Quer dizer, a minha mãe é quem me proíbe; e dessa vez eu obedeço, porque, bem, faço muita coisa errada, mas me drogar não está na lista. Por exemplo? Estar aqui, escrevendo isso com cara de poucos amigos em um lugar lotado. Eu deveria estar estudando química. Ou física. Ou tentando entender porque até todo o conteúdo da recuperação é tão chato e ainda assim parece mais interessante - e mais fácil de resolver - do que os meus casinhos contraditórios e a minha relação conturbada com essas coisas esquisitas que são os humanos - os outros, os diferentes. Ou seria eu a anormal da história?
Tento voltar pra casa pensando na alegria que janeiro pode reservar pra mim. Talvez, afinal, eu consiga me sair bem com as exatas e saiba exatamente como mudar o que tenho feito de errado. Mas talvez eu não deva mudar, mesmo que saiba como.
Em casa. De alguma maneira, mesmo com todas as portas e janelas de vidro, aqui parece bem mais escuro do que no lugar fechado em que eu estava. Tem razão, nada mudou. Eu ainda sinto falta.


Eu deveria ter nascido em abril, não em setembro. Outono, não primavera.

5 arranhões:

Laís disse...

A gente é inclinado a pensar que deve ser feliz o tempo todo, é quase uma ditadura da alegria e sentir-se assim, como tu descreveu é quando a gente mais aprende.
As vezes a beleza vem da dor, estar triste/reflexiva/isolada as vezes traz coisas bonitas de dentro.

As vezes é tão gostoso por uma musica triste e só pensar!

Nova Quahog disse...

INCLINADOS PRA TUDO!
SER COMO QUEREM!

Giovanna disse...

Outono é a estação mais monótona, mesmo assim me sinto bem com a ilusão de folhas caídas em nosso jardim *-* amei amei o texto.


- seguindo aqui

Gabriela disse...

-qqqqqq, teu blog tá mára amiiga,
o layout do meu eu achei aquii oh
http://hotbliggityblog.com/backgrounds.php?offset=60&limit=15&querystring=
copia e cola no navegador,
la tem muitas opçoes.
hsauhsa'
beijoos amiga, evolte sampre ao meu, seja super bem viinda!! :**

Julia Piccolo disse...

adorei teu blog, e teu layout é muito lindo!!